Conheça President Evil, o RPG de mesa sobre a pandemia do Covid-19

Um mundo atacado por um vírus e as autoridades que deveriam protegê-lo estão mais preocupadas em dar remédios para as emas. Esse é o mundo de President Evil

Quer ter uma ideia do que é o mundo fantasioso de President Evil? Imagine um mundo em que está sendo atacado por um vírus mortal, com milhares de pessoas morrendo diariamente, mas as pessoas o ignoram, escolhem andar por aí desprotegidas, negam a vacina, espalham mentiras e desinformação, atacam os cientistas e, o pior, as autoridades, que deveriam cuidar da população, são as primeiras que negam o vírus e seus perigos, espalham mentiras e estimulam a população a tomar remedidos que comprovadamente não funcionam. Um mundo bem maluco e irreal, não é? Ainda bem que nada assim aconteceria na realidade, não é? Não é?

President Evil é um RPG de mesa gratuito onde os jogadores têm que enfrentar a pandemia do coronavírus, em um mundo onde as ruas estão abandonadas e os políticos pouco se importam com a população. O jogo foi criado pela bióloga e pesquisadora Paola Giometti que se inspirou na atual situação global e do Brasil, pegando as frases do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como inspiração para algumas situações bizarras que acontecem no jogo, além do trocadilho com o nome da franquia de jogos Resident Evil, da Capcom. Além da versão nacional, Paola também preparou uma versão inspirada nas falas do ex-presidente norte-americano Donald Trump.

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Capa do rpg de mesa president evil
Um jogo bem irrealista, não é?

FAQ Rápido

O que é um RPG de mesa?

O RPG de mesa, ou RPG tradicional, é um jogo de tabuleiro onde um jogador, denominado Mestre, narra a história e os jogadores devem reagir com base no que é contato e jogar dados para determinar o sucesso ou falha de suas ações. Do inglês, a sigla RPG significa “Role Playing Game”, um jogo de interpretar papéis.

Como se joga um RPG de mesa?

Em uma sessão de RPG, cada jogador usa sua ficha e dados representando o seu personagem, enquanto o Mestre conta a história, interpreta os NPCs e desenvolve o mundo. Em um live-action, um estilo de RPG que mais se aproximaria de um teatro de verdade, os jogadores podem interagir, usar acessórios e as ações são, em geral, decididas via um jogo de Pedra-Papel-Tesoura.

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Qual o RPG de mesa mais jogado do mundo?

O RPG mais jogado e conhecido do mundo é o Dungeons and Dragons, abreviado para D&D.

Quanto tempo dura uma campanha de D&D?

O tempo que você quiser. Uma campanha pode durar dias, uma sessão, meses ou anos. Depende da história que você está contando e se, após ela terminar, você irá querer começar outra em seguida e continuar a história daqueles personagens.

Quanto tempo dura uma sessão de RPG de mesa?

Uma sessão de RPG pode durar um dia todo ou apenas algumas horas, dependendo apenas de como o jogo avança e dos jogadores (e do mestre) querer continuar o jogo.

Conheça President Evil

Paola Giometti disse que a sua inspiração em grande parte foi as declarações feitas pelo atual governo do Brasil em relação à pandemia. Como já deu para reparar o nome do jogo é um trocadilho com o nome de Resident Evil, sendo que o nome President Evil foi escolhido através de votação popular nas redes sociais.

“Centenas de pessoas sugeriram nomes e votaram. Havia Pandemonium, Health Hunters, Quarenteners… Mas President Evil, uma sugestão do Thiago Lima, ganhou disparado”

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Criadora de president evil

A criadora declarou que sempre gostou de RPG, por isso criou o jogo, sendo uma resposta as críticas recebidas por ter rebatido declarações do presidente Jair Bolsonaro. Entre os personagens, existe um “holístico que veio para salvar os fracos, o nadador de esgoto com alta imunidade”, além de algumas outras classes criadas ao longo do tempo como o “Capitão Cloroquina, que “prefere morrer a assumir que Cloroquina não funciona contra covid-19, mas que adora o sabor da Tubaína nos comprimidos”;

“Foi um modo de satirizar quem estava me atacando e ao próprio presidente. Foram dois dias inteiros criando as classes de personagens baseadas nas bizarrices e na realidade que vemos por aí. Foi um trabalho intenso, mas que valeu muito a pena”.

Outras classes do jogo, além de muitas outras, incluem:

  • O Frescurento(a) mimimi, que  não sai de casa há 1 ano, sobreviveu à depressão e tem boas qualidades de sobrevivência; 
  • Capitão(ã) Cloroquina, que prefere morrer a assumir que Cloroquina não funciona contra covid-19, mas que adora o sabor da Tubaína nos comprimidos; 
  • Terraplanista, que pensa que se a terra fosse redonda, a quarentena funcionaria; 
  • Viciado(a) em Kit Covid, que quando se medica se sente invencível; 
  • Enfermeiro(a) das Trevas, que foi em cana por finjir aplicar vacina, mas ao iniciar a partida, tem uma vacina vencida no jaleco; 
  • Policial Tocador de Gado, que não aguenta ver aglomeração e sai tocando todos para casa; 
  • Holístico(a) Messias,  que acha que nasceu para curar as pessoas, diz que Deus tem um plano com o Covid e que está tudo acontecendo da maneira certa; 
  • Anti-Vacina, que caso tome a vacina contra covid vai virar um animal à escolha do mestre;

O cenário do jogo, no livro é descrito como:

“Milhares de desempregados, fome, bandidagem, luta por sobrevivência. Esse é o cenário que o brasileiro enfrenta já há muitas décadas. Um vírus chamado Covid-19 se espalhou pelos quatro cantos do mundo e chegou ao Brasil. Com um presidente que não entende nada de ciência, que incentiva o povo a sair de casa e fazer aglomerações, com um povo que acredita e desacredita nas notícias, os brasileiros simplesmente se dividem.

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A Europa estava alertando a sua experiência com o vírus, mas o presidente do Brasil fez muitos brasileiros acreditarem que a Rede Globo é uma seita que controla todas as emissoras e mídias do mundo, e que a Europa estava delirando. Um ano depois, com nenhuma quarentena cumprida com responsabilidade, o vírus circulou tanto que mutou para uma variante mais adaptada e contagiosa. Mesmo sem cumprir quarentena, a economia do país quebrou! Há tantas mortes que desestabilizou todos os setores do país.

Foram inúmeras as tentativas inventadas para estimular as pessoas a continuarem a vida normalmente: cloroquina, kit covid, dando a falsa impressão de que as pessoas estão invencíveis ao vírus, mesmo não havendo remédio que mate o vírus (que dirá o velho conhecido e temido HIV!). Os acessos à comida, ao dinheiro, à dignidade são muito limitados. À espera de vacinas, infectados caem às ruas, pois não há nem mais leitos em hospitais e as funerárias estão em colapso, com famílias enterrando seus parentes no quintal.

A água dos lençóis freáticos está contaminada devido a sobrecarga de cemitérios, e água potável é uma raridade. A sobrevivência agora se tornou não só uma questão de capacidade como também de sorte. O inimigo visível e invisível estão por aí e você terá que sobreviver à todos eles.”

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O RPG de Mesa

“Imaginei que fazendo o jogo as pessoas poderiam se colocar no lugar de personagens num cenário muito ruim, e até mesmo sentir um pouco a importância de se proteger e proteger ao próximo numa pandemia. Ele simula a vida real de um modo lúdico”, explica a criadora. “Você tem que ficar de quarentena, caso necessário. Tem que manter a imunidade se alimentando bem, escolher ajudar o próximo ou não, pois alguns recebem o subsídio do governo e podem comprar alguma comida ou máscaras de qualidade, álcool em gel, podem até mesmo tomar o ‘tal’ medicamento duvidoso, que pode na sorte te salvar ou não.” 

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A princípio dentro de jogo os jogadores irão encontrar as ruas do Brasil abandonadas e uma economia totalmente falida restando apenas alguns sobreviventes da pandemia. Tendo como objetivo fazer as pessoas se conscientizar sobre a situação de forma indireta e por meio do entretenimento. Em relação ao sistema de jogo, President Evil adota um sistema próprio, adaptado pela própria autora, tendo como base outro RPG conhecido, o Storyteller da editora White Wolf.

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Fuja das aglomerações

Cada vantagem de classe dá alguns atributos e acesso a habilidades especificas, como o “Político Negacionista” que tem um bônus de +3 em Manipulação. Assim como nos jogos de Vampiro: A Máscara, você jogará os dados, somará seu atributo com a habilidade e tentará atingir um número alvo de dificuldade (a CD), mas, ao contrário do Storyteller, o jogo foi adaptado para funcionar com dados de 6 lados em vez do tradicional dado de 10 lados. Um exemplo retirado do livro explica como funciona o sistema:

Ex: Débora quer convencer alguém de alguma coisa. Ela pode usar sua Manipulação (3 pontos) + Poder da Palavra (que oferece + 2 dados), somando e totalizando 5 dados a serem rolados no teste. Ela terá que tirar em um destes dados, pelo menos um 4 ou mais (para ser considerado um sucesso). Mas ela tem 5 dados a serem rolados, então há boas chances de que caia um ou mais sucessos.

Vamos supor que Débora tirou estes números: 4, 2, 5, 3, 4. Ela teve portanto, 3 sucessos. É suficiente para convencer um bom número de pessoas do que se ela tivesse tirado apenas 1 sucesso. Mas talvez ela não convença uma multidão, pois essa é uma tarefa mais difícil, e o mestre pode exigir um número de sucessos maior.

Aviso: Para aqueles que estão se sentindo ofendidos com o jogo e estão pensando em ir ao site da White Wolf denunciar a “comunista” por usar as regras do jogo, podem esquecer. O sistema Storyteller faz parte do Open Game License e os criadores permitem jogos novos que usem o sistema. Além disso, o jogo não é vendido e sim distribuído gratuitamente, ela não está ganhando nada com isso, portanto, não é pirataria. Não gosta do material dela? Faça o seu próprio jogo.

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Prefiro encarar o Nemesis

Paola deixou claro que o jogo não está desmerecendo a gravidade, o perigo e as vítimas do coronavírus. Além disso, a pesquisadora não se define nem como partidária de “esquerda” ou de “direita”, e os jogadores estão livres para criar seus próprios personagens satíricos ou classes que fazem alusão a esse ou aquele político ou grupo político.

“Ao mesmo tempo que o jogo faz a sátira ao presidente, ela não faz a sátira ou pouco caso do coronavírus, que é o grande vilão do jogo. Você deve manter a sua imunidade e caso esteja infectado, deve decidir entre ficar em quarentena ou contaminar seus amigos, e caso ainda apresente os graves sintomas, deverá contar com a ajuda deles para que tentem salvar você. No fundo, acho que traz um treino de empatia e conscientização através do entretenimento do RPG.”

O inimigo é o vírus e, a discussão sobre “esquerda ou direita” só mostra que o inimigo real e perigoso, o vírus, está vencendo com base na técnica “dividir e conquistar”. Como a própria autora diz: É preciso empatia para cuidar uns dos outros e, apesar de hoje haver uma grande parte da população vacinada, a ameaça ainda não acabou e precisamos continuar tendo cuidado. Principalmente com as variantes que surgem por aí.

Make the Vírus Great Again

Além da versão em português, o jogo tambem recebeu uma versão em inglês, mas com o foco nas frases do ex-presidente Donald Trump com vantagens como “Addicted do Lysol”, onde os personagens são viciados em Desinfetantes Lysol e “UV Guy”, onde os personagens carregam lâmpada UV e ao fazer uso dela perdem muita imunidade – já que o UV mata os microrganismos nas superfícies e também causa danos ao DNA.

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Apesar da brincadeira, a frase dita por Trump fez o número de casos de pessoas intoxicadas por beber desinfetante aumentar, deixando ainda mais claro como as frases ditas por esses políticos, que aqui se tornaram vantagens e desvantagens de um jogo, são impactantes na vida das pessoas e não devem ser tratadas levianamente.

O jogo, além de uma diversão para aqueles na quarentena e que ainda estão em contato com os amigos mais pela rede social do que pessoalmente, serve como um alerta para que nem tudo o que eles dizem deve ser levado a sério.

Como jogar President Evil?

O jogo pode ser baixado gratuitamente pelo site oficial da Paola Giometti, onde todo mundo pode baixar o PDF que contem todas as instruções necessária. Como a maioria dos RPGs não se precisa de muito para que possa ser jogado, precisando apenas de um lápis, borracha, folhas e alguns dados de 6 lados ou um Nenhum produto encontrado. de RPG.

Você gosta de RPGs? Que tal jogar President Evil online com seus amigos? Conte para nós o que achou do jogo e aproveite para ler mais sobre RPG de mesa no nosso site.

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Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de animes desde a época da TV Manchete.