Simplificando o RPG de Mesa para iniciantes em 4 Passos

Ele pode ser tão complexo quanto uma planilha de Excel ou tão simples quanto ler um livro. Vamos explicar como funciona o RPG de Mesa para iniciantes

Vamos começar Simplificando o RPG de mesa para os iniciantes. Você pode achar que esse jogo é complicado, com um monte de regras, números e dados de lados estranhos cheios de contas para fazer, calculando porcentagens, danos e pontos de vida. E sim, o RPG pode ser complicado assim (é só ver uma sessão de Gurps). Ou ele pode ser tão simples quanto uma conversa com um jogo de Pedra-Papel-Tesoura, e até mais fácil ainda, como simplesmente ler um livro e escolher para qual lado o personagem deve ir de acordo com a página.

Com o crescimento da cultura pop e séries como Os Simpsons, Big Bang Theory e mais recentemente Stranger Things, o RPG de mesa vem ganhando visibilidade e consequentemente muitos querem aprender a jogar. Se esse for o seu caso, temos uma série de guias aqui no site que vão explicar para você como começar, sobre as principais classes de RPG, guia sobre as raças e muito mais, mas esse artigo vai ser a introdução de uma série sobre RPG de mesa aqui no site e vai servir como uma base para os próximos posts que estão por vir.

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Simplificando o rpg de mesa
A galera de Big Bang Theory jogando enquanto a Penny bebe sua poção

FAQ Rápido

O que é um RPG de mesa?

O RPG de mesa, ou RPG tradicional, é um jogo de tabuleiro onde um jogador, denominado Mestre, narra a história e os jogadores devem reagir com base no que é contato e jogar dados para determinar o sucesso ou falha de suas ações. Do inglês, a sigla RPG significa “Role Playing Game”, um jogo de interpretar papéis.

Como se joga um RPG de mesa?

Em uma sessão de RPG, cada jogador usa sua ficha e dados representando o seu personagem, enquanto o Mestre conta a história, interpreta os NPCs e desenvolve o mundo. Em um live-action, um estilo de RPG que mais se aproximaria de um teatro de verdade, os jogadores podem interagir, usar acessórios e as ações são, em geral, decididas via um jogo de Pedra-Papel-Tesoura.

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Qual o RPG de mesa mais jogado do mundo?

O RPG mais jogado e conhecido do mundo é o Dungeons and Dragons, abreviado para D&D.

Quanto tempo dura uma campanha de D&D?

O tempo que você quiser. Uma campanha pode durar dias, uma sessão, meses ou anos. Depende da história que você está contando e se, após ela terminar, você irá querer começar outra em seguida e continuar a história daqueles personagens.

Quanto tempo dura uma sessão de RPG de mesa?

Uma sessão de RPG pode durar um dia todo ou apenas algumas horas, dependendo apenas de como o jogo avança e dos jogadores (e do mestre) querer continuar o jogo.

Simplificando o RPG de Mesa para Iniciantes

O termo RPG significa “Role Playing Game”, ou seja, é um jogo de interpretação de papeis em uma história fictícia, o “papel” que você interpreta nessa história depende de você e de como você quer criar o seu personagem, já a forma que você interage com a história é pelas ações que você decide tomar na narrativa do mestre. Imagine o seguinte:

Mestre: - Seu cavaleiro encontra no meio do caminho uma pessoa ferida. O que ele faz?
Jogador: - Primeiro eu checo, de longe, se não há mais ninguém por perto...
Mestre: - Jogue esse dado e se você tirar 10 ou mais, então você conseguirá descobrir.
Jogador: - Tirei um sete!
Mestre: - Se há pessoas escondidas, você não consegue ver. A pessoa ferida percebeu que você está por perto e diz: "Me ajude... por favor".
Jogador: - Pego minha espada e vou me aproximando com cautela e digo: "O que aconteceu com você?"
Mestre: - Fui atacado por bandidos. Eles levaram meus pertences e sequestraram minha filha...
Jogador: - Posso fazer um teste para tentar descobrir se ele diz a verdade?
Mestre: - Jogue o dado e tente tirar um 15 ou mais.
Jogador: - Tirei um 13 e tenho a perícia de "Blefe" com mais +5. O que descubro?
Mestre: - Sim, ele parece sincero. E os vestígios de luta e coisas espalhadas parece confirmar o que ele diz.

E assim a ação se desenrola. O que o jogador fará? Irá resgatar a filha da pessoa ferida? Vai cobrar um preço por isso? A filha estará viva quando ele chegar? E os bandidos? Talvez o líder dos bandidos seja o amante da filha do homem e tenha sequestrado ela para que eles fujam juntos. Talvez ela será sacrificada para um antigo e oculto monstro. Talvez o aventureiro se junte aos bandidos. O que vai acontecer daí pra frente, só dependerá do mestre, do jogador e da sorte nos dados.

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Por conta de tanta liberdade criativa, o RPG de mesa tem uma característica imaginativa muito forte, te forçando a imaginar os cenários descritos pelo mestre, se você já leu um livro você terá uma experiência parecida, só de que dessa vez pode escolher o que seu personagem faz na história.

Sistemas

O RPG de mesa não é um jogo só, é na verdade um tipo de jogo, um que muitas empresas se interessaram e acabaram desenvolvendo suas próprias regras para jogar. Cada sistema tem seus pontos fortes e fracos, seus jeitos de criar personagens, seus itens e muitas vezes um certo sistema que não é muito interessante de cara pode ser muito útil ao criar uma história com outro tema.

Por exemplo, o Dungeons & Dragon foi feito com base em aventuras para um mundo medieval e suas regras teriam pouca utilidade para uma aventura em um mundo futurista, exceto é claro com muitas adaptações e mudanças. Tantas que ficaria mais fácil procurar um sistema próprio para aventuras futuristas como um Starfinder. Quer jogar um RPG de super-heróis? Então é melhor escolher um 3D&T do que um Storyteller.

3D&T é muito simples e viajado? Quer algo mais pé-no-chão e realista? Gurps tem um intrincado sistema de regras que pode se aplicar a qualquer cenários, desde o

Mesmo com suas diferenças, os sistemas de RPG de mesa seguem uma linha principal e vão modificando conforme suas necessidades a partir dela. Seções em comum entre os sistemas são Classes, como criar seu personagem, raças, regras de combate, itens e testes de perícia. Cada um destes assuntos merece seu próprio texto então saiba que tudo isso pode ser encontrado no livro do seu sistema de escolha.

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Qual sistema devo escolher?

O sistema perfeito pra você deve vir com experiencia, mas aqui vão algumas sugestões para começar:

  • D&D: Dungeons & Dragons é um dos sistemas de RPG de mesa mais famosos e já na sua quinta edição traz várias classes, raças, itens e histórias prontas para serem usadas. Sendo um sistema originalmente de histórias de fantasia medieval, ele é muito bom para quem está começando. Por ser tão completo ele é um pouco mais complexo, mas ainda sim bem acessível;
  • Tormenta20: Tormenta é um sistema nacional um pouco mais simples, mas muito funcional, suas classes e raças não tem o mesmo sentimento individual que nem as de D&D mas ainda são características e proporcionam uma boa estrutura de personagem;
  • Pathfinder: Muitas pessoas usam este sistema como uma ferramenta de introdução a RPG, isso é incrivelmente valido por ele ser um sistema com um bom equilíbrio entre a complexidade que torna o jogo interessante e a simplicidade que deixa o jogo acessível para novos jogadores;
  • Daemon: Um sistema de RPG nacional criado com base em dados de 100 lados e porcentagem. Ele pode ser usado tanto em campanhas medievais ao estilo “Idade das Trevas” e campanhas investigativas do estilo sobrenatural, Cthulu e aliens ou Área 51, mas possuiu diversos suplementos de outros estilos como heróis e anime.
D&d livro de mão do jogador, tormenta 20, pathfinder livro básico
Alguns sistemas de RPG conhecidos

Estrutura da mesa

“A mesa” é um termo usado para se referir ao grupo de amigos jogando a aventura, ela é composta pelos jogadores e pelo mestre. Mas claro, “mesa” pode ser qualquer coisa ou lugar onde você e seu grupo se reúne. Pode ser no chão, no Discord, numa mesa propriamente dita, numa luderia ou em qualquer lugar onde estão as fichas e os dados. com todo o grupo em volta, o mestre pega seu material de jogo, sejam os livros, o escudo e as fichas dos NPC e começa a “mestrar”.

O “Mestre”, chamado de Dungeon Master no original, ou DM, é quem conduz a aventura que está acontecendo em uma mesa. Ele é o integrante que vai criar a história a ser narrada e conta-la, estando sempre atento a todas as regras do sistema escolhido (ou ignorando elas completamente, dependendo da situação). Já os jogadores tem o papel de criar um personagem e viver como ele no mundo criado pelo mestre, assim desenvolvendo a história mais ainda e procurando alcançar seus objetivos do jogo.

Mestre da mesa
No RPG a Terra pode ser Plana

Além disso, o Mestre é o responsável por interpretar todos os personagens, monstros ou pessoas que os jogadores encontram no caminho. Enquanto o jogador deve interpretar o seu personagem, o mestre via interpretar todos os outros no mundo. Seja o velhinho misterioso da taverna que dará o mapa da masmorra ao dragão sentado no tesouro e que irá desafiar os jogadores. Ele deve contar a história, impor os desafios, colocar charadas no caminho e garantir que todos se divirtam, mas sem deixar de se divertir também.

Criando seu personagem

Agora que escolheu o sistema para sua aventura, você deve criar seu personagem para se aventurar na história criada pelo mestre da sua mesa. Cada sistema de RPG de mesa tem suas diferenças para a criação de personagem, mas para a maioria você pode seguir um padrão.

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  • Raças: No mundo de fantasia não existem só humanos como seres que pensam e vivem em sociedade, anões, elfos, orcs, gnomos, hobbits, goblins são poucos de muitas raças que você pode escolher para o seu personagem. Mundos futuristas podem ter androids ou alienígenas. Mundos sobrenaturais podem ter vampiros ou lobisomens. Consulte o sistema que você irá jogar e veja quais estão disponíveis e quais forças e fraquezas cada uma possui.
  • Classes: Pense nas classes como as profissões dos personagens, cada classe em um sistema terá habilidades diferentes, o guerreiro é um ótimo lutador e seu equilíbrio entre força e rapidez o faz letal no campo de batalha, já o mago com sua inteligência e estudo pode conjurar magias devastadoras, mas caso pego por um inimigo talvez não sobreviva tão facilmente. Num cenário futurista, você pode ter um Caçador de Androides, como em Blade Runner. Em um cenário de Japão Feudal, samurais e ninjas são as escolhas mais básicas.
  • Atributos: Os atributos são as características do seu personagem como sua Força, Destreza, Inteligência, Sabedoria, Constituição, Percepção e Carisma. Alguns sistemas tem mais atributos outros menos, em geral, varia de 5 a 10 atributos diferentes. Cada classe tem como foco um atributo diferente que acabam determinando o quão bem o personagem faz certas ações. Para cortar uma árvore, um personagem com vários pontos em força é mais eficiente, porém, caso ele precise decifrar escritas antigas em uma ruina a situação não vai ser a mesma.
  • Itens: Comece com itens simples que façam sentido com sua classe, um guerreiro pode começar com uma espada curta e uma armadura simples, já um ladino faria mais uso de uma adaga e uma armadura de couro. Não comece com equipamentos muito forte, afinal, uma das partes mais divertidas do jogo é conquistar equipamentos mais fortes conforme sua aventura progride. Tudo depende do que o seu mestre decide.
  • Aparência e personalidade: Agora a estrutura do seu personagem já está pronta, o que falta é você determinar quem ele é, talvez ele pode ser um veterano de guerra que estava no lado perdedor e agora busca vingança contra o reino que destruiu sua terra, ou talvez um mago que depois de encontrar um estranho colar no porão de sua casa quer estudar o mundo arcano e descobrir o que o destino guarda para ele. Seja lá o que for, essa é a parte que você deve deixar sua criatividade fluir, crie uma história para seu personagem e imagine como ele reagiria a certos acontecimentos, e então coloque esse conhecimento em prática nas aventuras do seu mestre.
Fichas de rpg de mesa
Fichas de Personagem

Escolha suas perícias

As perícias são suas habilidades que você aprendeu durante a sua vida. Diferente dos atributos, que todo mundo tem os seus, alguns mais e outros menos, por exemplo: um mago certamente será mais inteligente do que um guerreiro, afinal, o mago estudou muito mais na vida do que o guerreiro (além disso, o personagem mago precisa de um atributo de inteligência maior para conjurar suas magias, enquanto o guerreiro não precisa de inteligência para brandir a espada e sim de força).

Agora, as perícias são mais como habilidades que os personagens aprendem durante a sua vida. Por exemplo, o ladino precisa aprender a arrombar portas e desarmar armadilhas enquanto o guerreiro raramente teria uma perícia dessas, afinal, ele não teve tempo de estudar isso enquanto aprendia táticas de guerra e uso de armas.

Um mago vai estudar línguas antigas e conhecimentos de ocultismo, enquanto um bardo deverá aprender a tocar seu alaúde e cantar. Um jovem hacker deve aprender a decifrar códigos e quebrar protocolos de segurança, enquanto um assassino deve conhecer venenos e ser furtivo. Claro que nada impede o hacker de conhecer venenos, se ele quiser estudar sobre isso e o assassino pode ser um excelente cozinheiro, afinal, cada perícia é parte da experiência de vida do personagem.

Nada impede (exceto se o mestre não permitir) o seu personagem de ter um punhado de perícias que sejam de várias classes e profissões diferentes, mas é mais interessante quando ele tem uma construção de perícias que fazem parte do histórico do personagem.

Background

Um das partes mais legais e interessantes do RPC é construir a história do seu personagem. Dar a ele um passado, uma vida antes de começar a sua aventura, para não dar a impressão de que ele nasceu de um buraco na terra e já surgiu adulto e mestre em 30 tipos de combate. Você pode criar um personagem e já tê-lo na sua cabeça, fazendo um paralelo entre o que aconteceu com ele na sia vida e suas habilidades.

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“Meu personagem cresceu em um circo, por isso ele é bom em acrobacias.”

Ou o caminho inverso, fazendo um personagem, escolhendo seus atributos e perícias e depois dando a ele um histórico:

“Hum… sou um clérigo, mas tenho arrombar fechaduras. Pode ser que ele tenha sido um ladrão antes de entrar para a vida religiosa.”

Seja criativo e escolha sua história. Pense nas motivações de seu personagem e coloque isso no histórico dele (“Ele tem um inimigo mortal, por uma vingança, então, escolherei um ‘inimigo’ como desvantagem”) e cada vez mais ele será um personagem complexo e interessante.

Tudo esclarecido, é hora de jogar

Agora que tem o seu personagem criado e a história já está pronta para ser vivida é necessário entender como funciona o jogo.

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Durante a narração o mestre da mesa vai descrever os cenários, personagens e informações do local aonde os jogadores estão e então dará a eles a liberdade de escolha do que fazer, pense no objetivo do seu personagem e do seu grupo, decida se querem procurar trabalho mercenário na cidade, ou talvez você tenha ouvido de canto um boato sobre a filha do rei ter sumido misteriosamente e quer investigar esse caso, seja lá como for, você está destinado a se deparar com desafios na sua jornada, e é então que seu mestre pode te pedir para fazer testes de perícia.

As perícias são habilidades em comum entre todos os jogadores e o quão bom um é em determinada pericia depende dos atributos, um personagem forte é um ótimo atleta, então com a pericia de atletismo ele pode correr muito mais do que os outros sem se cansar, ou talvez seu personagem seja muito carismático, então ele pode usar a perícia de persuasão para convencer alguma figura poderosa. Cada sistema tem suas perícias específicas então consulte o livro para saber quais estão disponíveis.

Para fazer um teste de perícia o jogador deve jogar um dado de 20 lados e somar o resultado com o atributo relacionado aquela perícia, dependendo do quão difícil é a ação que o jogador quer tomar, o mestre vai determinar uma classe de dificuldade, que é o numero que o resultado da soma deve bater para o jogador ser bem sucedido na atividade.

Dado de 20 lados
Acerto crítico! (ou falha, depende do sistema)

E aí, ficou com vontade de criar o seu próprio RPG de mesa? É uma diversão a mais para o momento delicado que vivemos, e pode ser feito sem sair de casa! Tem mais alguma coisa a acrescentar ao texto? Deixa nos comentários e aproveite para ler mais sobre RPG no nosso site.

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Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de animes desde a época da TV Manchete.