Entrevista Exclusiva com Hugo Campos que levará o game Gravitational para a BIG 2021

Conversamos com o co-fundador da Electric Monkeys e conhecemos um pouco da história desse estúdio, seus jogos e o Gravitational, um jogo VR que espera conscientizar os jogadores sobre a importância da acessibilidade

Acessibilidade. Uma coisa que ouvimos falar muito, mas pouco vemos na prática. Levar em conta as necessidades de mobilidade das pessoas com algum tipo de deficiência é uma necessidade para o nosso mundo, cada vez mais conectado virtualmente, mas, ainda assim, separa as pessoas por um objeto tão simples quanto uma escada.

Sério? O ônibus que você pega tem aquele elevador de acesso? Os motoristas param para os cadeirantes no ponto? Quantos dos lugares que você frequenta todos os dias (ou frequentava, antes dessa pandemia) tem uma rampa de acesso ao lado das escadas? Um corrimão? Marcações no chão para deficientes visuais? Se você respondeu ‘muitos’ então é ótimo! Mas acredite, isso não é uma realidade em muitos lugares.

Agora, você imagina a dificuldade dessas pessoas de fazer coisas tão simples do dia-a-dia? Coisas que para você é tranquilo, como simplesmente pegar um produto na prateleira do alto no supermercado, podem ser verdadeiros desafios para outras pessoas. Agora, imagine essa situação levada ao extremo. Imagine como seria se houvesse um personagem cadeirante em um filme como Alien – O 8° Passageiro?

Disso nasceu Gravitational. Um jogo VR de ficção científica em que você entra na pele de um cientista cadeirante que precisa resolver situações em um complexo sem gravidade para sobreviver depois que todo mundo foi embora. Se fazer as coisas na gravidade zero já é complicado para quem tem todos os movimentos, imagine para alguém que não pode mover as pernas.

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Para falar sobre esse jogo, falamos com Hugo Daniel Campos, o co-fundador da Electric Monkeys, que conversará sobre o jogo e sobre o estúdio. Programador e Consultor Unity, Hugo é responsável pela equipe de desenvolvimento de jogos e aplicativos voltados para a área de Realidade Aumentada e Realidade Virtual. E também quero deixar aqui um agradecimento especial também para a Camila Ferrari, da Electric Monkeys, que respondeu nossos e-mails!

Conheça Hugo Campos, responsável pelo game Gravitational

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Married Games: Olá, gostaria de começar agradecendo você por ter topado falar com a Married Games. Pode falar um pouco sobre a Electric Monkeys e um pouco sobre os projetos que vocês já realizaram?

Hugo Campos: Olá Paulo, tudo bem? Me chamo Hugo Campos e sou cofundador do estúdio de jogos Electric Monkeys. Agradeço muito a oportunidade de expor o nosso trabalho em seu portal.  

Nosso estúdio nasceu de uma paixão antiga que eu tenho pelos games, junto com a necessidade de transformar a nossa empresa Studica Solution em uma desenvolvedora de jogos. Deste sonho surgiu a Electric Monkeys, uma empresa focada em desenvolvimento de games. 

Através de um edital da Ancine, conseguimos a oportunidade de desenvolver o nosso primeiro jogo: Gravity Heroes, um jogo de tiro em plataforma 2D frenético com visual pixel-art e que já está disponível em todas as plataformas e será exposto na mostra Panorama Brasil no festival. 

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Com o Gravity Heroes ganhamos notoriedade no segmento e conseguimos o prêmio de Best Brazilian Game na BGS 2018.  Paralelo a isso, também desenvolvemos jogos mobile e emplacamos o desenvolvimento do Gravitational, um jogo VR que também estará disponível para o público no Big Festival 2021. 

MG: E sobre o seu game no BIG, o Gravitational? O que você pode contar sem dar muito spoiler do que veremos nele? 

HC: No jogo, o jogador vai controlar Sebastian, um cientista cadeirante líder de pesquisa e desenvolvimento na GravCorp, empresa responsável pela tecnologia de controle gravitacional. Tudo parece ocorrer bem, até que um acidente no reator fará com que Sebastian tenha que desligá-lo. No entanto, a falta de acessibilidade dos andares é o maior dos empecilhos em sua jornada e jogador terá que construir caminhos usando tecnologias futuristas para alcançar estes lugares.

Um jogo sobre acessibilidade

MG: Um jogo com um protagonista cadeirante enfrentando desafios pela falta de acessibilidade dos lugares. Isso é um enorme problema do mundo real. Vocês esperam conseguir chamar a atenção p/ isso com o Gravitational? 

HC: Sim! Esperamos que as pessoas possam ter outros olhos ao entrar em uma loja, andar em um parque, pegar um ônibus e outras tarefas do dia a dia. Sabemos que a experiência de um jogo VR não é suficiente para entender isso, somente quem precisa de uma cadeira de rodas sabe as dificuldades, mas esperamos que com isso as pessoas tornem o mundo mais inclusivo.

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MG: E quais são as influências dele ou ele nasceu da vontade de jogar um jogo assim e vocês não encontraram nenhum por aí?

HC: A ideia surgiu em 2013, quando as tecnologias VR começaram as despontar. Na época não tinham muitos jogos, e eu queria criar uma experiência completamente diferente dos jogos conhecidos. O conceito inicial era dar ao jogador a sensação de flutuar em um ambiente sem gravidade, segurando onde pudesse para se mover.

O jogador ficaria sentado o tempo todo, utilizando os controles para segurar os objetos no jogo. Para atingir o máximo de imersão no jogo fez muito mais sentido criar um personagem cadeirante. O jogo tinha muito potencial, mas oportunidades para desenvolvê-lo só surgiram agora. 

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Alta tecnologia e pouca empatia no mundo de Gravitational

MG: Dentre todas as plataformas para as quais o jogo será lançado, qual foi a que deu mais trabalho de fazer e por que? Quais foram as dificuldades que vocês tiveram no desenvolvimento? A pandemia atrapalhou muito? 

HC: O desenvolvimento do Gravitational em si tem sido um desafio para todos nós, já que é o nosso primeiro jogo VR. Por isso, tudo é novo e diferente. Mas temos uma equipe muito comprometida e colaborativa que entregam o melhor para o jogo.

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A pandemia atrapalhou um pouco no início pela questão da migração para o home office, mas depois que pegamos o jeito posso dizer que nossa equipe está muito mais entrosada do que antes. 

MG: Acham que o mercado de jogos VR é um bom lugar para investir, dado principalmente ao preço dos componentes como os Óculos de VR? Ou existe um bom público fiel a essa tecnologia? 

HC: Nós sabemos que devido ao preço o crescimento VR é lento comparado com outras tecnologias, ainda existe uma barreira para a tecnologia alcançar seu ápice e chegar a todos os jogadores, mas sou otimista e mesmo as projeções pessimistas mostram que VR é uma tecnologia ascendente. Espero que no futuro todos possam ter um aparelho de Realidade Virtual em casa.

Do Pixel a Realidade Virtual

MG: De um jogo em pixel art para um VR 3D é um salto bem ousado. Por que vocês resolveram fazer mudanças? E depois dele, os planos da empresa é continuar nos games 3D?

HC: É uma história até que engraçada essa, pois a nossa primeira ideia foi o Gravitational. Na época participamos de um edital da Spcine, que infelizmente não passamos. Enquanto ainda estávamos participando deste edital, decidimos entrar na Ludum Dare, uma Game Jam online.  

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Nosso objetivo era explorar as nossas possibilidades de mecânica com a gravidade, mas nosso modelador 3D não pode comparecer, então nós fizemos uma versão 2D do jogo. Essa versão 2D fez tanto sucesso que acabou sendo contemplada em um próximo edital (da Ancine). E no fim esta ideia que era derivada acabou sendo desenvolvida primeiro. 

Nós da Electric Monkeys somos muito ecléticos, e não nos prendemos somente a jogos 2D ou 3D. Se a ideia for boa a gente vai atrás. O que posso dizer é que nosso próximo projeto é definitivamente 3D. 

MG: Qual era o foco da Studica Solution antes de ser tornar um estúdio de desenvolvimento? 

HC: O grupo Studica é revendedor oficial da Unity no Brasil, e também atua em parceria com eles para realizar cursos, certificações e outros serviços, além de trabalhar com outras soluções e softwares no mercado de tecnologia da informação. Minha história com a Studica começou com aulas de desenvolvimento de jogos, na sequência muitas empresas começaram a pedir consultoria e também trabalho de desenvolvimento não somente de jogos como de outras aplicações. 

Como somos apaixonados por jogos decidimos abrir uma ramificação deste grupo para jogos, daí surgiu a Electric Monkeys, que é focada 100% em jogos próprios. Mas a Studica Solution oferece serviços para empresas terceiras. 

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MG: Gravity Heroes veio com a ajuda desse edital da Ancine, o que é algo bastante interessante, mas e o Gravitational? Também conseguiu estes editais de apoio? Atualmente é mais fácil ou mais complicado conseguir esse tipo de apoio para a indústria de games? 

HC: Sim, o Gravitational conseguiu apoio do edital PROAC 2019 o que nos abriu portas para o desenvolvimento do projeto. Eu acredito nesses programas de apoio, e vejo que ajudará bastante no desenvolvimento da indústria de jogos. Não sei dizer se é mais fácil ou difícil, já que muitos desses editais dependem de ações do governo, mas posso dizer que são ótimos para a indústria, e sou a favor destes investimentos.

MG: E aí, ser indicado para se apresentar no BIG recompensou todo esse esforço? Qual foi a sensação de saber que terão essa chance de se apresentar para todos num evento como esse? 

HC: É uma honra muito grande participar do BIG Festival 2021, e ainda mais como finalistas em duas categorias (Best XR/VR Game e Big Diversity). A indicação é muito valiosa! O esforço vale a pena em momentos como este e em momentos em que os jogadores se sentem realizados. 

 O Gravitational é um jogo muito importante para o estúdio. Em muitos aspectos ele abriu os nossos olhos para questões sociais que não conhecíamos, tem gerado empatia e nos colocando (e aos jogadores) no “lugar do outro”, além de transformar o desenvolvimento em uma experiência valiosa que queremos transmitir a vocês. Esperamos que gostem! 

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MG: E para finalizar, quer mandar um recado para o pessoal da Married Games?

HC: Gostaria de enviar um grande abraço ao pessoal da Married Games e ao leitores, todos estão convidados a testar nosso jogo e enviar sugestões ou críticas. Também agradeço a equipe por nos conceder este espaço para nos apresentar e por acreditar em nosso projeto!

Macacos Elétricos no BIG Festival

Além do Gravitational, vocês podem conhecer o trabalho da Electric Monkeys em suas redes sociais e no Youtube.

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A gravidade não é a sua amiga

Facebook: https://www.facebook.com/electricmonkeysstudio/
Twitter: https://twitter.com/monkeyselectric
Instagram: https://www.instagram.com/monkeyselectric/

Além deles, você conhecerá outros incríveis games indie na Brazil Indie Games, o Festival BIG 2021, Então, não se esqueça de ficar de olho no BIG Festival, acontece entre os dias 3 e 9 de maio e será toda transmitida online. A programação completa do evento será divulgada em breve. Para mais informações sobre o Brazil Indie Games, acesse o site oficial. Anote na sua agenda para nãos esquecer de conferir o Hugo e o Gravitational durante as conferências que acontecerão online durante todo o dia.

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Curtiu o Gravitational? O que achou do tema do game? Fale conosco nos comentários e leia mais sobre o BIG Festival no nosso site.

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Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de animes desde a época da TV Manchete.