2 Momentos Estranhos na Vida de Link: Zelda no Phillips Cdi e a animação da DIC

Link e Zelda tiveram momentos estranhos durante os anos 80. Veja algumas dessas aventuras bizarras do Herói do Tempo

Você viu nossa linha do tempo de Legend of Zelda, mas além desses jogos, existem vários spin-offs e algumas coisas que a Nintendo preferia esquecer que um dia aconteceram, como os jogos de Zelda no Phillips Cdi. Você já ouviu falar deles? Talvez você não conheça sua história ou sua produção, mas certamente você já deve ter visto alguns vídeos bem estranhos protagonizados por Link, Zelda e outros personagens bizarros que você nunca viu em nenhum outro jogo da franquia.

Embora eles certamente não façam parte da linha do tempo de Zelda, as aventuras do herói do tempo não ficaram sem alguns tropeços (ou quedas de cara no chão mesmo), e vamos mencioná-las aqui apenas por sua curiosidade e, principalmente, por sua bizarrice que fizeram a Nintendo (junto com o filme do super Mario) segurar com todas as forças suas franquias antes de permitir que elas fossem adaptadas ou levadas para outros consoles e mídias. Vamos falar sobre esses jogos e não se esqueça de deixar um comentário falando o que você achou deles.

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Zelda no phillips cdi
“Excuuuuuuuuuse me, princess”

O que os jogos de Zelda no Phillips Cdi tem a ver com o PlayStation?

Durante algum tempo, a Nintendo e a Sony negociavam para a criação de uma versão do Super Nintendo que rodava jogos em CD, ou talvez fosse apenas um periférico que rodava jogos em CD para o Super Nes, como o Sega CD fazia com o Mega Drive. Seja como for, esse projeto acabou não saindo do papel e disso nasceram duas coisas: O PlayStaion e os jogos dos personagens da Nintendo no Phillips Cdi.

Quando o acordo com a Sony terminou, a Nintendo procurou a Phillips, conhecida fabricante de TVs, aparelhos de som e videocassetes, para criar o seu periférico de CDs. Como parte do acordo, a Nintendo cedeu alguns de seus personagens para a criação de games no console da Phillips, o Phillips Cdi. Desse acordo surgiram três games da franquia Legend of Zelda e um jogo do Super Mario, chamado Hotel Mario, que você tinha que ficar fechando portas!

Jogos de Legend of Zelda no CDi da Phillips

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Capas dos jogos do CDi

Os jogos Link: The Faces of Evil e Zelda: The Wand of Gamelon foram desenvolvidos pela Animation Magic e lançados em meados de 1993 e 1994. Não houve nenhuma interferência da Nintendo nesses jogos, exceto em relação ao design de Zelda e Link. Eram em jogos de plataforma 2D e, para não dizer que tudo neles era ruim, tinha belos cenários pintados a mão, mas também tinham bizarras animações em desenho, para mostrar que o Cdi tinha a capacidade de reproduzir “avançadas animações FMV”.

Essas animações são o resultado de um baixíssimo orçamento para a criação dos jogos e a contratação de um estúdio de animação russo, que só pode ser acessado pelos desenvolvedores após a Queda do Muro de Berlim. Eles tinham apenas acesso às algumas poucas artes oficiais e a Nintendo exigiu que os personagens Zelda e Link fossem fiéis aos seus design dos jogos anteriores, então, fora esses dois personagens que eram “reconhecíveis” o resto do elenco era algo bem “original”.

As vozes foram gravadas antes da criação dos personagens e desenhos. Em geral, o processo é feito na ordem inversa quando se trata de algo novo ou quando você não tem nem ideia de como são os personagens, então os animadores fizeram os personagens com base naquelas vozes (e não ao contrário), dando origem a coisas estranhas que parecem ter vindo de algum pesadelo.

Os “belos cenários pintados a mão” também foram um problema para os programadores, que tinham que encaixar as plataformas e buracos onde eles achavam que deveriam estar, deixando o jogo com paredes invisíveis aos jogadores, buracos que ninguém esperava e pulos extremamente difíceis de se executar. Isso sem contar a própria limitação de hardware do console que impedia uma movimentação fluída e atrapalhava os jogadores na hora de pular ou atacar.

Para pular, apesar do controle do CDi ter um bom número de botões, eles decidiram que os personagens pulavam ao apertar o direcional para cima. Imagine o quão fácil deveria ser correr e pular ao mesmo tempo? Para pegar suas rupees, os personagens tinham que atacá-las, apertando o botão de ataque. Com a detecção de colisão do jogo, era bem fácil perder dinheiro enquanto tentava pegá-lo. E você precisava de toda a rupee possível para avançar no game.

Cutscenes de Faces of Evil

Em Link: The Faces of Evil você tem que ajudar Link a resgatar os moradores de uma ilha invadida por Ganon. Link está entediado, sem aventuras, quando um feiticeiro chega em seu tapete voador e informa que só Link pode derrotar Ganon na ilha de Koridai. Ele tem que explorar o mapa e derrotar alguns chefes (nada de novidade aqui) para encontrar um livro que será essencial na luta contra o vilão. Se não fosse pelas animações estranhas e os péssimos controles, este jogo seria um game tradicional da franquia, similar ao segundo jogo oficial.

Zelda: The Wand of Gamelon

Cutscenes de Wand of Gamelon

Já em Zelda: The Wand of Gamelon, temos uma mudança bem significativa, pois nele, pela primeira vez na franquia controlamos Zelda em vez de Link. Aqui, os papéis se invertem e quem é sequestrado dessa vez é Link e cabe a princesa salvá-lo. A ilha de Gamelon está sob ataque e o rei Harkinian, pai de Zelda, vai pessoalmente ajudar os aldeões. Se em um mês ele não retornasse, Link deveria ir para Gamelon ajudar na luta. Mais um mês de passa e não há notícias nem do rei e nem de Link, então, Zelda resolve ir até Gamelon descobrir o que aconteceu.

Lá, após enfrentar alguns soldados de Ganon ela descobre que seu pai foi capturado e Link está desaparecido. Para resgatar o pai, ela precisa encontrar a Varinha de Gamelon e usá-la contra Ganon e salvar a todos. A jogabilidade aqui é igual (para o bem ou para o mal) a de Faces of Evil, mas ele ganha um destaque por ser o primeiro jogo em que Zelda é jogável. Já o próximo jogo onde controlamos Zelda, as coisas são bem mais estranhas.

Zelda’s Adventure

Neste terceiro jogo, Zelda’s Adventure, o time responsavel pelo desenvolvido mudou e foi passado para a Viridis Corporation. Eles usavam “atores reais” e fotos digitalizadas para os cenários. E quando digo “atores” eu quero dizer o pessoal que trabalhava no escritório! Na cena de abertura do jogo, Zelda foi interpretada pela recepcionista da empresa! As fotos foram todas tiradas no escritório, pintando paredes ou aproveitando fotos tiradas nas férias dos funcionários.

Aqui, em vez de um jogo de plataformas 2D, temos um jogo com visão aérea, similar ao primeiro jogo. Porém, pelas limitações de hardware do CDi você não tinha aquele scroll lateral fluído como o do Nintendinho. Aqui, cada mudança de tela demorava segundos ou até minutos. Cada conversa com um NPC era uma demora imensa até que a animação e a conversa carregassem e o jogo pudesse continuar.

Em jogabilidade, aqui Zelda usa uma varinha para atacar os monstros e adquire diferentes feitiços conforme avança no jogo e derrota inimigos. Você deve enfrentar inimigos em Templos e conquistá-los para avançar. A história fala sobre a dominação de Ganon sobre Hyrule e Tolemac, uma terra ao sul de Hyrule. Ele sequestrou Link e roubou sete Celestial Signs e, com esse poder, começou a corromper a terra e os Templos onde eles eram guardados. Zelda deve recuperar os Signs e enfrentar Ganon para recuperar a terra de Hyrule e salvar Link.

Leve para casa os jogos bons da série e esqueça esses momentos da vida de Link e Zelda

The Legend of Zelda: a Série Animada

The Legend of Zelda a Série Animada não é tão ruim quanto você possa imaginar. Ela seguia o mesmo padrão de qualidade de outros desenhos baseados em games da mesma época. Ela adaptava vagamente os jogos The Legend of Zelda e The Adventure of Link. Foi distribuído pela Viacom Enterprises e produzido pela DIC Entertainment que também fez desenhos de outros jogos (como Sonic e Mario) além de produções originais (Inspetor Buginganga e Ursinhos Carinhosos).

O programa foi ao ar de 8 de setembro a 1 de dezembro de 1989 com 13 episódios no total. Ele passou aqui no Brasil no programa da Xuxa na TV Globo, o Xou da Xuxa, como um desenho dentro do desenho do Super Mario, o Super Mario Super Show.

Como dito acima, ele se baseava nos dois primeiros jogos, tendo inclusive a música clássica na abertura, e mostrava o Link mais adulto (ou adolescente) e a Zelda como uma personagem bem mais ativa e determinada (o padrão da mocinha em desenhos da época) protegendo a Tri-Force da Sabedoria. A fada Navi era um tipo de fada Sininho do Link, sendo extramente ciumenta com Zelda. Ganon era aquele vilão padrão que terminava dizendo frases como “eu odeio aquele herói”.

A coisa mais conhecida desse desenho certamente é o bordão de Link que ele tinha algum tipo de obrigação contratual de dizer a todo momento, o “excuuuuuuuuuse me, princess”. Mas, a parte disso, o desenho entregava aquela dose de ação e aventura segura e aprovada para crianças que você via em todos os desenhos dos anos 80, como He-Man, Thundercats e outros.

Espadas que só serviam para atirar raios lasers inofensivos que só nocauteavam os milhares de minions, um plano que sempre era atrapalhado pelos heróis que faziam piadinhas enquanto derrubavam alguma coisa cômica na cabeça dos vilões e uma situação engraçadinha com algum personagem secundário que terminava com todos os personagens gargalhando enquanto rolava um efeito fade-out.

Fan Films de Legend of Zelda

Claro, depois dessa série, Zelda nunca mais foi adaptado para nenhuma outra mídia, embora existam rumores de uma série para Netflix, não temos notícias sobre o andamento dessa produção (se quiser saber sobre séries baseadas em games que vem por aí, temos uma matéria falando sobre o asusnto). O desejo dos fãs de ver um filme de Zelda também já foi mostrado através de vários fanfilmes, mas depois de Super Mario, é compreensível o fato da empresa resguardar suas propriedades intelectuais. Veja alguns dos fan films mais legais de Zelda já postados no Youtube.

Esse é um dos mais clássicos e muitos fãs achavam que era oficial por muito tempo. Mas não passava de uma brincadeira de 1 de Abril da IGN.

Este mostra um pouco da vida de Skullkid, antes dos eventos de Majora’s Mask, e tem uma bela animação 3D.

Este não tem nada a ver com Zelda, mas eu acho ele sensacional por sua criatividade. Zelda, Link e outros personagens são mostrados como adolescentes no Colégio Hyrule em um filme escolar, que mistura Clube dos Cinco com Legend of Zelda e várias outras referências. Se eu pudesse adaptar Zelda preferia fazer esse filme do que adaptar os jogos.

Agora, deixe aí nos comentários se você curtiu conhecer um pouco desse “passado sombrio” da Franquia Legend of Zelda. Gostou dos fan films? Tem alguma coisa estranha e desconhecida de Zelda que faltou aqui? Fale conosco e aproveite para ler mais sobre a Nintendo no nosso site.

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Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de animes desde a época da TV Manchete.